sábado, 4 de abril de 2020

Finalmente o desabafo.

A madrugada foi envolvente de forma a tirar-me o sono.
Já sofri muita insônia nessa vida, mas essa tá sendo diferente, e dessa vez não venho como poesia, venho em uma ousadia de simplesmente escrever.
Eu não sei vocês, mas eu sinto uma plataforma de ar condensada, forte e isolada conosco.
04 de abril de 2020, era umas 2 da manhã, quando um turbilhão de sentimentos afloraram.
Óbvio que solidão, medo, sempre são os primeiros, seguido de desconfiança, com um ar de não esperança, de algo que você confia e é exposto, junto com uma enorme vontade de desapegar mais ainda de coisas que você sabe que não estão te fazendo bem, mas continuam fazendo, porque a minha bondade excede limites.
Me sinto um livro tão aberto, que qualquer um pode chegar folhear e jogar fora, como tem acontecido.
Me sinto tão vulnerável, que qualquer um pode chegar, amordaçar, como já vivi há muitos anos amordaçada e privada de usar da fala como forma de expressão, se apropriando dessa fala, e usando dela de forma inapropriada, sem sentido e desnorteada.
Me sinto tão sensível a ponto de qualquer um que aparecer na minha frente eu sentir a energia boa/ruim na minha frente e isso me afetar amargamente como se tivesse provando do meu próprio veneno.
Me sinto, sempre sentimento acima de tudo, porque sou sentimental, sou cheia de sangue fervendo como um rio que corre dentro de mim, intensamente preenchendo meu ser de muito amor e bondade.
Aquela bondade sem tamanho que sempre tá pronta pra servir, mas nunca para ser ouvida, ou dizer um simples não.
A gente sempre tem medo do novo, porque parece ameaçador, grande, monstruoso e nada afetuoso, e prefere voltar pra zona de conforto, achando que sempre vai ficar tudo bem, voltando pra essa zona.
Mas simplesmente não.
Estamos todos fora dessa zona de conforto, agora, e essa reunião de sentimentos mundiais, tá afetando o mundo, e chegou aqui, nesse lar onde zelava harmonia, amor, cuidado e Deus.
E essa fé com medo de pedir a Deus que aconteça o que acontecer, esteja comigo, e uma insegurança do mundo acabar e eu não ter vivido o que sempre sonhei em viver.
Sonhos que se tornam tão distantes, como a fala de reviver mais um amor refrescante, daquele que vivi não faz muito tempo, até chegar o não.
Desse não, veio todo o passado, cheio de dor, afago, maus tratos, porque me lembrei da solidão, exclusão, humilhação, que era e ainda ser preta nesse mundão!
Que o que faz lembrar de exclusão, lembro-me da rejeição, do ventre que nunca nem conheci, nem sei de onde é, o que faz, mas que ainda sofri e sofro por essa distância com um ponto de interrogação do tamanho de uma lança que sempre volta pro meu coração.
Quanta coisa né, Caroline!
Acho uma baita exposição vir dar o carão, como tenho feito na internet, esperando que sempre essas e outras milhares de exposições ajudem pessoas sentimentais como eu, a se curarem por mais doloroso que sejam se olharem no espelho e se amarem, porque é tão revoltante ser até imatura em algumas posturas porque sinto olhares, dessa exposição que se julga desnecessária.
Mas cada um tem sua forma de exprimir o que sente, para que se oriente a fim de que esses sentimentos se confundam entre linhas, rimas, palavras iguais, até subir pros ares, e causar uma baita respiração calma, sem essa crise de ansiedade, que há dias tem assolado minha alma, sem necessidade.
Esse texto não foi feito pra entender não, é só um desabafo de quem tá vinte e quatro horas ligada, no meio de um isolamento social, diante de uma pandemia, mas que ainda tem fé em seu anjo da guarda, pois acendeu uma vela, que já se apagará para que tudo se dilua nos ares assim como Oxum é Mãe das Águas e levam pelos rios profundos, toda essa agitação e excessiva necessidade de chamar atenção, de quem só queria fazer uma poesia aqui nessa plataforma digital e levar seu trabalho autoral, de uma mulher que vem se conhecendo, se curando, caindo e tropeçando para sempre ser melhor no que faz, crescer, amadurecer e ser feliz, com seus sonhos de volta a si mesma e ir fluir pelos rios em solitude e paz.

terça-feira, 24 de março de 2020

COM-VIVÊNCIA

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Convivência para Conveniência
Saiba do seu valor
O conforto pode ser quente,
mas também pode te dar calor,
Do calor pode-se faltar o amor
Do desamor começa-se o rancor
Do rancor o desrespeito
Mas a convivência fala mais alto, o calor,
Do silêncio se silencia
A malícia igual a polícia
Cujo deve é proteger,
Mas zelar este nome pra que?
Chega sem bater, agride, maltrata
Sem dizer por que?!
Pois pela convivência conveniente
Cria raiz e quando se vê
já se foi, o zelo gerou desamor
A violência é comum pelo fato da conveniência
Cuidado com a consequência,
Não se mutile pelo desamor
Não se limite pelo pudor,
Valorize-se e enraize-se
pela palavra chamada AUTO AMOR.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

O Eu do Eu e Eu.

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Este Eu se supri por si só.
Este Eu se consola por si só.
Este mesmo Eu existe para primeiro se amar e se louvar,
Para que depois possa encontrar o próximo, Eu e Jah.

O encontro com si próprio muitas vezes esquecido,
Trazido na escuridão por muitas vezes falido,
Enquanto a escuridão pode te trazer um determinado inspirar,
Se conhecer para que se possa libertar,

Penetrar no profundo e sagrado espírito,
para conhecer o que tanto te causa sofrimento,
Eliminar no âmago do teu ser
o que pode ser prejudicial ao teu desenvolvimento,
Se auto conhecendo e
fazendo do teu corpo o próprio acalento,
Para que seu toque seja o próprio, elevar,
Com tuas próprias mãos
e elementos naturais, o teu sagrado curar.

Este Eu diariamente renasce,
Este Eu diariamente cresce,
Este Eu diariamente floresce,
Se conhece, se abre e se restabelece,
Nesta roda sagrada da vida,
Fazendo do teu próprio corpo
uma sagrada doutrina,
De fortalecimento, suprindo sempre seus momentos sagrados
De desenvolvimento.



terça-feira, 12 de novembro de 2019

Um corpo.



Um corpo que se auto conheceu,
Um corpo que não padeceu em solidão, sofreu,
Um corpo que cuida do seu eu,
Um corpo que se reconheceu em seu apogeu,

Este corpo que se reconhece, cuida
e trás o renovo diário,
Este corpo se renova, se cuida e
se estabelece sem ser autoritário,

Faz de si um eterno diário,
Onde cada página deste dia,
É uma eterna harmonia,
De como se conhecer,
Em pura alegria,

Este corpo entendeu,
Sua importância e renasceu,
Se tocando e conhecendo seus caminhos mais profundos,
Utilizando do auto-cuidado como motivo do próprio orgulho,

Pôde compreender o valor que precisa se dar,
A cada parte do seu corpo, um novo olhar,
O que era mutilação hoje pôde se entender como imensidão,

De buscar ser você mesmo como o próprio acalento,
Neste mundo de tantos tormentos,
Conhecendo seu corpo e sabendo do seu valor como desenvolvimento.


segunda-feira, 15 de julho de 2019

Exausta.




Estou excessivamente cansada,
Cheia de cansaço,
Afadigado,
Cansada desse mundo de ilusão,
De pessoas sem rumo e sem coração,

Exausta de me importar demais,
Exausta de ser egoísta demais,

Exausta de trabalhar e ser derrubada,
Exausta de não conseguir dar continuidade no meu trabalho, 
ultrapassada,

Exausta do espírito que resplandece no corpo
e não produz a caminhada,

Exausta,
Cansada e sobrecarregada,

De energias que não são minhas, e nem um pouco abençoadas,

Exausta,

Exaurida,

Esgotada.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Responsabilidade Emocional

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"Pessoas não são mercadoria,
Não as trate com ironia,
Assuma a responsabilidade do teu sentir,
E se precisar, deixe-o ir,
Você alguma vez já se perguntou?
O que sente em teu âmago ardor?
Respeitando o teu sentimento
Você age com discernimento,
Refletindo e agindo com sabedoria
Para que haja consigo e com o próximo na harmonia,
Evitando a mágoa, a própria desarmonia
Sabemos que depositamos nos outros
o que não estamos preparados para assumir em nós mesmos.
No entanto, quando alguém não se sente bem consigo mesmo,
Nos sentimos responsáveis por tal sentimento,
Como se tivéssemos ferramentos para solucionar o sentimento alheio,
Porém e o Eu?
Mentalizo com observação, me responsabilizo
Sinto e confronto meu sentimento,
Curo e polarizo conforme o meu merecimento
Navego no meu Rio imundo e profundo,
E busco lá dentro o atributo,
Atributo necessário para o libertário,
Que seja revolucionário para eu criar meu próprio clima,
E no ciúme, raiva, ira e tristeza com a mente, eu crio certeza
Certeza de Polarizar e me valorizar,
pois com a mente nos céus, nenhuma irresponsabilidade emocional
vai me tirar do meu extremo equilíbrio.

domingo, 23 de junho de 2019

Imersa.




Eu sigo imersa em minhas próprias águas,
Desaguando e deixando fluir todas as mágoas,
Que me fizeram triste sem esperança,

Desfazendo nós desde criança,
Que o sistema implantou para causar solidão,
Para destruir toda a harmonia que havia em meu coração,

Solidão que trouxe aprendizado em estar só,
Que trouxe, o afeto, o auto-cuidado de cuidar de si próprio,
Causando amor, sintonia, ancestralidade livrando todo o ócio.

O medo tem sido meu maior aliado,
Evitando que haja esse auto-cuidado,
Devido a traumas, inseguranças, e sofrimentos no passado,

Recuperando, curando e excluindo todos esses sentidos,
Consigo abrir meus caminhos,
Para que haja o real equilíbrio, e o não conflito de se viver sozinho,

Lembrando sempre de cuidar de si mesmo, em momentos de desespero,
Mente vazia e não zelo, recorro a imersão do meu corpo nas águas para lembrar do apego,
Que sinto em meu coração e zelo,
De se recordar sempre do amor próprio e conceito de águas serem meu apego e real sentimento,
Agradeço a Mamãe por esse afeto!



Holding on to Jah

Esconderijo - Ana Cañas