segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Sobre apropriação cultural...


Se apropriaram de tudo que é nosso,
Tornando nossos discursos vagos e sem propósito,

O turbante que era símbolo de sacramento,
Hoje pelos cabelos louros virou tormento,
Mas se eu, mulher preta, usar,
A desavença com o sistema vou criar,
Símbolo fashion se transformou,
Desvalorizou o que se foi criado com puro louvor,
Sendo usado em locais sagrados,
Hoje a mulher branca se vê de bom grado,

Copiam nossas invenções com propósitos divinos,
E usam como mérito próprio, seu raciocínio,
Espiam, observam, para que possam usar os mesmos enlaces com 
Disfarces de mesmas roupagem da linhagem ancestral...

Maltratam, desgraçam e nos corrompem,
Para roubar todo o ouro da nossa terra,
E rompem,
Rompem com nosso princípios que deixa de ser puro para ser sujo,
Sem sentimento e imaturo,
Imaturo por não dar o mérito ao real merecedor, o homem preto que foi sofredor,
Buscando sempre estar em sua essência, se tornou perdedor,
Porque desde o princípio os brancos tomam nosso caminho,

Criando apelidos para suas mulheres como "preta, pretinha"
Mas se esquecem daquela que foi excluída, foi vista como malícia,
E não tinha par na festa junina,
Nem tinha par sequer para jogos na esquina,
Sempre chamada de feia, suja e de cabelo pixaim,
Nós, mulheres pretas, vivíamos assim,
Na flor da idade, a reijeição era tão comum,
Ninguém queria saber de nós, porque éramos as "pretas, pretinhas"
E hoje chamam assim suas damas de companhia, 
sem esquecer dessa história que é tão minha,
Que só eu sei a dor que carrego e a baixa estima que me cerca, 
quando um de vocês, brancos, me nega,

Mas ainda bem que hoje, eu sei do meu caráter, 
da minha história e sei da minha real felicidade,
Construindo e re construindo a auto estima diariamente,
Mas a cada dia ela cai e eu ergo novamente,
Nessa luta diária contra a apropriação de pessoas inválidas, 
que vivem roubando o que é nosso,
Ao invés de procuraram a si mesmos, seus propósitos, 
Copiando e exaltando a nosso história,
Para usarem para si a sua própria glória,
Mas se esquecem que Justiceiro está a olhar,
E vai passar espada em todo o mal que o branco vai roubar,
Porque meu Pai é preto e zela pela história do povo verdadeiro,
Como Garvey me ensinou e ensina e diariamente
Eu honro essa rotina de me conhecer e levantar a auto-estima,
De ser um Rainha, preta como Nzinga!!






domingo, 12 de novembro de 2017

Estar só.



As pessoas só pensam em si,
As pessoas só pensam em seu bem estar,
Só pensam no seu ganhar,
E te tratam como se fosse mais um,
Não se colocam em seus lugares para que assim sejamos um,

As pessoas não se importam,
As pessoas não se tocam,
As pessoas não olham para si,
Observando no seu lugar, o sentimento fugir,

O sentimento triste de estar só, mesmo, rodeado de amigos, sentir,
Quando se cuida de si, a dor toma o lugar do amor,

O tratamento intenso exige que se seja verdadeiro,
E quando se precisa de força por inteiro,
Estão vazios e cheios de maus sentimentos,

As pessoas vazias só pensam no fora,
Só olham para fora, não prestam atenção em sequer ouvir,
Se quer abrir o coração para ouvir,
Porque a alienação tomou conta do teu Lar, chamado Sião,
O que era espírito agora é carne, e o mundo se torna seu lar,
Anulando o seu verbo chamado amar,

A exclusão se torna comum, afinal pra que ser um?
A dor se torna o desamor, do ódio, da raiva e do mau humor,
Sofrimento é amor,

Amor é sofrer,
Que dói no âmago do ser.
Chega doer que o corpo está a padecer,
Padecer entre céu e terra,
Padecer, sofre em solidão,
Buscando vencer esta guerra.

Holding on to Jah

Esconderijo - Ana Cañas