segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Atualmente sem título.



"Você não sabe o que passei para ser o que eu sempre quis ser,
Para que me nomear?
Com nomes sujos, querer guerrear?
O tanto de rejeição que sofri,

Desde o ventre, não quiseram me retribuir,
Para quando criança a exclusão,
no jardim de infância,
Se iniciou a solidão, falta de compreensão,

Já na adolescência aprendi a palavra carência,
a tal da amizade, como verdadeira essência,
nunca tive bons amigos como princípios divinos,
Quando ainda na adolescência, na fase da carência,
época dos anos 90,
ser chamada de 'negra, preta' soava como ofensa, indecência,
E doía tanto no coração tal destreza,

Hoje nos anos 2000 me reconhecendo como preta, 
sem o clichê da prostituta, feia,
Assim como os senhores feudais usavam nossas Rainhas 
como símbolos sexuais, de estupros e abusos,
nomeando-as de pretas,

E hoje em diante, 
deste levante, seguimos quebrando este nome 
para que se fique a honra e relembremos dessas 
mártires sagradas que sofreram abusadas e usadas,
Para que simplesmente um homem branco, sem saber de nada, 
tome para si este nome e uso como quer, que ironia,

Respeita toda essa história sagrada 
e por favor não ironiza e nem minimiza, 
porque a cor da pele, esta sim, representa África,
não somos iguais e nem seremos,

Porque carregamos mágoas, traumas e laços ancestrais 
de sermos os mais amaldiçoados, sofridos e mau tratados,
Para vir um branco com seus privilégios claros, 
roubar tudo e usar como seu legado 
e ainda querer discutir de muito bom grado, 
o que não sabe um terço desta e outras histórias sagradas...

Holding on to Jah

Esconderijo - Ana Cañas