terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Blackness.

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"Rejeição veio do ventre, nascida abandonada sem necessidade,
Do carinho que não tive, fui abandonada na realidade,
Desse sentimento venho sofrendo e vivendo,
Resgatando nas forças passadas a cura para continuar sobrevivendo,
Carrego em mim essa marca, junto com a solidão abandonada,
Da vontade do carinho que não foi dada,
Marca passada que hoje se restaura,
Se não tomar cuidado, escrava se torna,
Na adolescência fui descobrindo o significado do sentimento da solidão,
Do preconceito de estar só, vivi mera ilusão,
Cresci, e segui curando, aprendi que nessa vida se aprende amando,
Se doando sem receber, se doando sem esperar receber,
Se doando e crescendo, alimentando no coração o aleitamento que não tive,
Porque com horas sumi dos braços dela, 
dele só carrego saudade,
Na puberdade rebeldia e vivacidade, de se entregar esperando caridade,
Caridade esta que só estava e está dentro de mim
Que nenhum ser humano pode me dar, tá bem dentro de mim,
Aprendendo a ser negra, negra não,
PRETA,
Me redescobri, na raiz africana, renasci e hoje cresci,
Nas transformações da vida, eu revivo a cada dia,
Cheia da vida, só posso agradecer pelo dom sagrado dos dias,
Dias sem fim, dias com fé, dias com dor, dias com axé,
Dias seguindo a vida tranquila, vivida as vezes sofrida, as vezes vivida com alegria,
Peço força as Mães, peço força,
Peço força terra, peço força...

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

O desistir?

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Eu desisto,
Desisto das tentativas de me preocupar com quem não se preocupa com você,
Eu desisto,
De tentar me mover para concertar o que não tem concerto dentro de você,
Eu desisto,
De correr atrás de quem que não faz nenhuma importância em ter você,
Eu desisto
De buscar ajudar quem não ajuda você,
Eu desisto
De tentar novamente e novamente ,
Eu desisto
Da falta de valor, da falta de fulgor, da falta de paixão, da falta de perdão,
Eu desisto, eu simplesmente desisto e assisto,
Assisto a ignorância dos corações desapaixonados,
Dos corações contritos e magoados,
Dos corações estilhaçados e atordoados,
Dos corações cheios de pedra,
Dos corações cheios de areia,
Dos corações,
Eu desisto e quero desistir,
Mas pelo amor que existe em mim, continuo a prosseguir,
Prosseguir por sempre querer o melhor,
Prosseguir por sempre ter esperança
Prosseguir por ser sonhadora,
Simplesmente prosseguir pela fé que tenho em mente,
Eu prossigo, eu consigo,
Eu sou amor, eu sou a paixão,
Eu prossigo!!!!


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

POESIA AFRICANA

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"E apesar de tudo,
Ainda sou a mesma!
Livre e esguia,
filha eterna de quanta rebeldia
me sagrou.
Mãe-África!

Mãe forte da floresta e do deserto,
ainda sou,
a Irmã-Mulher
de tudo o que em ti vibra
puro e incerto...

A dos coqueiros,
de cabeleiras verdes
e corpos arrojados
sobre o azul...
A do dendém
Nascendo dos braços das palmeiras...

A do sol bom, mordendo
o chão das Ingombotas...
A das acácias rubras, 
Salpicando de sangue as avenidas,
longas e floridas...

Sim!, ainda sou a mesma.
A do amor transbordando
pelos carregadores do cais
suados e confusos,
pelos bairros imundos e dormentes
(Rua 11!... Rua 11!...)
pelos meninos

de barriga inchada e olhos fundos...

Sem dores nem alegrias,
de tronco nu
e corpo musculoso,
a raça escreve a prumo,
a força destes dias...

E eu  revendo ainda, e sempre, nela,
aquela
Longa história inconsequente...

Minha terra...
Minha, eternamente...

Terra das acácias, dos dongos,
dos cólios baloiçando, mansamente...
Terra!
Ainda sou a mesma.

Ainda sou a que num canto novo
pura e livre,
me levanto,
ao aceno do teu povo!"                                

           Alda Lara Benguela,1953 (de  Poemas,1966)  

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Das de hoje.

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"A insensibilidade do outro me comove
A falta de amor, me entristece,
Corações adoecem enquanto o dito amor,
apodrece,
a solidão se torna comum,
Se importar é sinônimo 
de dor,
Enquanto o desamor, se torna a antítese do amor,
A confusão é cotidiana,
A falta de diálogo, insana,
O profeta de dentro do lar passar a não ser ouvido,
Ouvido, o maior inimigo
A frieza toma lugar da beleza,
Dentro, já esquecido
Bem vindo a 2016, amigo!
A transformação da vida
Na contramão do mundo,
Interiorizo o Eu, mais profundo,
Interiorizo o amor, Externalizo a harmonia,
Saio da rotatividade da vida,
Capacito meu ser de luz, sigo a minha vida..."

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Eu cresço.

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"Por entre linhas e escritas se desfazem,
as mágoas, se desfazem, os rancores,
os desamores, se desfazem,
os prantos...

Refazem-se os cantos dos cantos sofridos ditos,
Refazem o auto-domínio,
A construção de um novo Eu,
a revolução e o apogeu.

O brilho da lua, faz com que eu siga,
nua,
Retirando o suor do meu corpo cansado,
do desprazer magoado.

A lua que cresce em mim, amadurece
A transformação e a transição 
dos Eus antigos...

...eu consigo!!"

segunda-feira, 15 de agosto de 2016



"O grande fato do Eu desconstruir todos os dias,
É provar que somos humildes, que erramos,
Que buscamos todos os momentos mais uma nova oportunidade para recomeçar,
A vida começa a cada manhã, a cada manhã novos ares alimentam nosso respirar,
Nosso peito se enche novamente, como um batizar,

Batizar este de pureza, seguindo, sentindo e vivendo a sagrada beleza,
A beleza de um eterno amanhecer, a beleza de mais uma vez ter a oportunidade de florescer,

Florescer nos ensina, ensina a caminhar com sabedoria,
Deixar de lado o passado, os erros e principalmente a ironia,
Ironia esta do passado, de viver atrelado aos maus-tratos,
Maus-tratos estes do passado, do sofrer, do afago não pago,

A noite escura, nos trás também a cura, a cura da lua,
A cura da rua, a cura nua, preta como nossa pele chicoteada e madura,
Não, eu não sofri chicote e nem açoite eu sofri e sofro todos os dias por eles,
Carrego seus sentimento, carrego comigo todo o xingamento,

Carrego em meu ser, no meu ventre a não saúde delas,
Carrego em mim todas as ervas,
Ervas aquelas que a cada dia me ensinam a conviver, um novo nascer,
Sabedoria, beleza, florescer.

Descontruindo para construir, um futuro melhor para os que estão por vir,
Vou vivendo, vou seguindo, vou sentindo,
Viva, olho firme, pulso firme, construindo."

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Das sutilezas...

"A vida cheia de batalhas,
Enfrentadas dia-a-dia,
Cheia de desamores, construídos e desconstruídos a cada milésimo de segundo,
Mas, eu, ahhhh, eu, paro o meu mundo,
Ordeno a desordem,
Bagunço a bagunça organizada,
Faço de mim uma nova morada,
Faço do meu coração um poço cheio de Sião,
Faço do meu templo, o tempo do tempo,
Faço das minhas palavras, palavras de amor,
Faço dos meus passos o mais puro louvor,
Honro minhas raízes por onde ando,
Honro meu Deus, aquele que e santo,
Honro a geometria sagrada que trás a compreensão,
Que consegue tirar o meu coração desse mundo de ilusão,
Faço de mim a cada instante um recomeço,
um novo endereço, adereço de crescimento,
Amadureco conforme minha solidão,
Dou valor as sutilezas da vida do bom dia,
Dou valor a sagrada medicina,
as plantas, as flores, o verde,
que dá cores ao dia-a-dia, cheia de batalhar, eu levo a vida,
simples, sofrida e vivida..."


sábado, 30 de julho de 2016

Sensorial parte I.

"A arte de sentir,

sentimentos ancestrais, sentimentos inseguros,
sentimentos profundos, algo sem intuito,
Solidão, não tem cor nem sentimento,
talvez seja verde escuro, num tom cinzento,
talvez venha junto com a tristeza,
Desprezo, desassossego, segredo,

Sem medo, me entrego e deixa-me viver,
Deixa-me sair, seguir sem direção,
Sem rumo e deixar sair de mim, meu coração,

Coração, segredo, instinto, segredo,
Sem sono, amadurecimento,
Não, não quero crescer, quero continuar a viver sem temer,
Ser adulto é padecer,  padecer em solidão,
De novo sem palavra, que tanto destrói a minha nação,

Solidão da mulher preta,
Solidão da mulher,
preta,
feia, cabelo feio,
sem forma,
sem olhar, sem voz, 
sem calma,
Solidão da mulher preta delicada,
a mulher de maior sentimento, negados,
solidão de simbolismo,
solidão de exibicionismo,

Sem foco, sem documento,
único sentimento, fechamento,
Abrem-se ciclos, fecham-se corações,

Corações destruídos numa tarde de outono de sábado." 


segunda-feira, 25 de julho de 2016

Eu, mulher preta.



"Quero que minhas irmãs pretas não sofram mais de solidão,
Quero que minhas irmãs pretas, não mais sofram de falta de respeito,
Títulos, rótulos sexuais, abusos carnais, olhares esfumaçantes?
Não, eu não quero mais,
Quero minhas irmãs afirmando, que sou preta, sou linda e sou África!
Não quero olhares baixos cheios de vergonha, baixa estima, falta de entusiasmo!
Quero minhas irmãs prontas pra batalha,
Quero minhas irmãs cheias, emponderadas,
Quero minhas irmãs livres, podendo caminhar livremente,
Sem ter medo de homens delinquentes,
Quero minhas irmãs pretas Rainhas, nos céus, nos seus lugares conquistados por méritos próprios,
Quero poder dizer que eu tenho o amor próprio,
Quero que cada vez mais haja união, reparação,
Quero que o racismo, este sim, caia por solidão,
Quero que todo o ódio opressor transforme em amor,
Amor pela missão, amor pela cor, amor por amor."

Dia 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Preta.

segunda-feira, 13 de junho de 2016





O CERCADO

De que cor era o meu cinto de missangas, mãe
feito pelas tuas mãos
e fios do teu cabelo
cortado na lua cheia
guardado do cacimbo
no cesto trançado das coisas da avó

Onde está a panela do provérbio, mãe
a das três pernas
e asa partida
que me deste antes das chuvas grandes
no dia do noivado

De que cor era a minha voz, mãe
quando anunciava a manhã junto à cascata
e descia devagarinho pelos dias

Onde está o tempo prometido p'ra viver, mãe
se tudo se guarda e recolhe no tempo da espera
p'ra lá do cercado


    (Dizes-me coisas amargas como os frutos)

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Não me calarei.

Indignante, repudiante, horrorizante, chocante e angustiante,
Não foi só com uma, são com uma por cada 11 minutos,
Como pôde tu?
Ter o olho maior que a pele e sangue de urubu!
Esquece do ventre que te fez, esquece do ser que te criou,
Esqueceu-se do que mais, do amor, do pudor?
Dos olhos brilhantes que se ofuscaram, dos gritos e do choro derramado,
Da pureza, de seda e de renda, rasgou a fenda realeza,
Tirou um passado cheio de vitória, tirou o presente de glória,
O futuro traumatizou, para que tanto rancor?

Eu e nós guardamos a raiva, o ódio, a sensação de não utilidade,
Vidas rasgadas na puberdade,
Não consigo falar, só consigo pensar, penso em orar, mas me sinto inútil,
Por que raios, filmaram e postaram seres inúteis?

E mais homens viram, sorriram, se excitaram e se calam,
Diante de uma barbaridade, nada falam
'Não posso fazer nada, e dai? Pra que tanta preocupação se não foi em ti?'
Cala a boca antes que te arrebente, machismo predominante cheio de dente,
E digo mais, não são só homens, mulheres 'machos' também se atraem,
'Ele que pediu, a roupa curta que vestiu, estava aqui acolá'
Mulheres ignorantes temem a falar!

Presta atenção, sou só mais uma em um milhão, bilhão, trilhão,
De mulheres revoltadas, tristes, caladas, solitárias,
Que buscam a tal de sororidade, irmandade, unidade,
Mas nada adiantará se tu não fizer a sua parte,
Denuncie, informe, grite, ressucite, acorde e lute pelo teu!
Pelo meu, pelo nosso, pelo teu,
Direito, liberdade e dignidade,
Dignidade esta de poder sair livre, sem medo, sem medo de homem,
Homem mau sem coração e sem pudor,
Chega de ser lutar em vão e sem amor.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Canção para uma mulher - Ana de Santana

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Canção para uma mulher


Nunca me falaste

da tua música
estuprada à força do falo
nem me contaste
das partículas que
pacientemente raspaste
ao sol para fecundar a terra.

Apenas dizes dos braços
cruzados à volta do filho
ou do milho a colher


Sempre espero, pacientemente,
tua boca liberta,
pelas mãos mostrando o sol
e,
pelos teus filhos contando-te
da vida que semeaste.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Da série, Caroline no seu mundo da lua.

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"Se existe uma mulher que eu admiro, Admiro eu, humildemente, é a Rainha Menen, Mulher guerreira, abundante e fértil, Salvadora das mulheres que queiram se valorizar, Do amor foi criada, do amor é a terra, Educada educou nações, deu as mulheres o que nenhuma mãe até então havia dado, o valor de serem lutadoras como eu sou, O valor de serem independentes, no intuito de se esforçarem para terem o que é teu por glória, Ela ensinou que temos que ser fortes como o Monte Sião, que nada abala, Que as tribulações vêm para ensinar, Ela ensinou que temos que ser Rainhas, delicadas, mansas, E poderosas, que nossos olhos sejam de leoas prontas para a guerra, Que nosso corpo seja o nosso templo, como a árvore está a beira do rio, Que nada abala, tudo nutre, semeia e dá bons frutos, Ela ensinou o amor materno de uma princesa que se transforma em rainha, Naturalmente como o dom que Jah dá para seus levitãs o adorarem, Essa Rainha Menen, me ensinou e me ensina a todos os dias, O dom de ser fértil, de sangrar todos os meses, regando com o meu próprio corpo com o sangue mais puro e cheio de vida, E que esse sangue que vem de dentro é o mesmo que renasce e e se transforma em vida nova, pura e cheia de amor para viver neste mundo, E que sou sagrada, sou voz dentre todas as vozes, Sou luz perante a escuridão, com as minhas palavras e o meu canto, levo flores no meu encanto, Sou sutileza em forma de leoa, Essa sou eu, é tu, somos nós, porque juntas somos mais fortes, Somos o corpo de Deus, somos anciãs, matriarcas e geradoras da nossa história e história da nação, Juntas somos filhas da terra, da Mãe Natureza, da Lua e das Estrelas, Juntas somos sagradas da criação, Mulheres ancestrais, sábias, agraciadas por Menen, a rainha de Amor que sempre vive em meu coração." Da série poesias sobre a Lua

segunda-feira, 14 de março de 2016

I don't care.

O que eu digo, você não liga,

O que eu luto, você pouco se importa,
O que eu faço, você condena,
O que eu digo, você responde,
O que eu vivo, você blasfema,
O que eu gosto, você não gostam,
O quanto eu ligo, você desapega,
O quanto eu prego você cobra,
Assim é é assim piorará, o mund com o seu egoísmo no ar,
Cada um só liga para o seu, cada um só olha para eu,
Não se importa com nada, só pensa em críticas bravas,
O que eu gostaria é que fossemos mais saudáveis,
Que fossemos um pouco menos egotistas, e que voltassem são que Cristo nos ensinou,
Pois Ele ensinou com tanto amor,
E hoje, jogam fora, como se não valesse nada, 
O que dizem é da boca para fora, sempre criticando o que aqueles adoram,
Jogo de ilusões e não sobrará nenhum,
Inclusive eu que ainda escrevi pensando que um dia seremos um.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Quisera eu.

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Quisera eu que todo esse dilúvio passasse,
Que todo esse mal acabasse e da vida apenas me lembrasse do que restou de bom,
Quisera eu que o valor se achegasse,
Que o amanhã me despertasse em harmonia e paz interior,
Quisera eu que a união floresce assim como a chuva que cai dos céus faz com as flores cresçam,
Naturalmente,
Quisera eu que o todo se valorizasse, que o todo se amasse e que não precisasse mendigar o amor de ninguém
Quisera eu que a verdade prevalece, que o bem prosperasse que o amor reinasse no coração do humilde e puro de Deus,
Quisera eu que a miséria não existe, que a fartura prosseguisse que brotou da terra o calor do amor,
Quisera eu que as minhas palavras subissem,
Subissem como o incenso dos céus, como perfume que vaga pelo amor, se transmitisse todo o amor do meu coração para meus irmãos,
Eu queria, mas querer não é poder, eu já não sei,
Porque meu coração assim como o mundo esfria, então fico só no queria,
Porque o poder já se desviou do fim,
Eu queria que a chama novamente se refletia, no coração daqueles que acreditam,
E que parasse de ter que ficar mendigando e que o meu pensar emanasse o tamanho do meu pranto,
Pranto por aqueles que eu tanto amo!
Quisera eu... queria eu... quero eu, já não sei que eu quero...

Holding on to Jah

Esconderijo - Ana Cañas