terça-feira, 18 de maio de 2010

Texto especial.





Luz e amor do Papai em nós todos.

Hoje tem uma pessoa que faz parte da minha vida, que pediu-me que postasse um texto interessantíssimo sobre a "Etiópia e seus segredos".
Este irmão é o Ronaldo Hergovich, da banda Ras Mocambo, conhecida por alguns mas que futuramente Far I traçará uma trilha muito brilhante por este projeto especial.
Logo logo eu deixo algumas informações sobre a banda.

Agora vamos aprender um pouco de história, geografia e sobre principalmente a nossa raiz, África.

Damos graças.

Este documento tem como principal objetivo relatar como os primeiros homens da Etiópia receberam as mensagens, as leis e os ensinamentos do Senhor Deus de Israel, e mais tarde a sua introdução ao Cristianismo, sendo hoje considerada o mais antigo país cristão de toda terra.

É um grande trabalho pesquisar, escrever e elaborar um texto sobre a terra mais antiga do mundo, pois a história de todo homem tem como ponto de partida a terra do sol dourado, qualquer relato, sobre qualquer história, em qualquer tempo, podemos traçar e observar uma Etiópia sempre viva e em movimento. Seja na Gênesis bibica (Primeiro livro das escrituras judaicas), onde observamos relatos da terra de “Cush”, ainda no jardim do Éden, seja nas grandes expedições de Paleontologia ao norte da Etiópia onde em Outubro de 2009, encontraram “Ardi” de 4,4 milhões de anos no Triangulo de Afar, berço da humanidade para a paleoantropologia. Muito antes do colonialismo europeu invadir e roubar a África, na Etiópia, único país Africano a não ser colonizado, já havia ali homens trabalhando com agricultura e arquitetura com instrumentos não encontrados em nenhuma outra parte da África. Trata-se também e principalmente da terra que carrega o mais antigo trono do mundo.

*Não se conta na escola.*


ETIÓPIA SEUS SEGREDOS


HAILE SELASSIE JAH RASTAFARI

- Judeus da Etiópia

- Kebra Negast

- Etiópia Cristã

- Nove Santos

- Lalibela

-Judeus da Etiópia.


A herança cultural desses judeus precocemente estabelecidos na Etiópia teria sido preservada sobre tudo pelos Falachas, que viviam ao norte do lago Tana, em Begender, Semién e Dembija, e disseminados por várias cidades da Etiópia, onde moravam juntos em pequenos guetos, desprezados pelos cristãos, na companhia dos quais não podiam comer e em cujas casas estavam proibidos de entrar.

As tradições fazem deles uma das tribos perdidas de Israel. Ou os descendentes de um grupo de judeus que não seguiu Moisés, viajando na direção oposta. Ou a progênie dos camaradas de Menelique, o filho de Salomão e da rainha de Sabá, que o acompanharam à Etiópia. Ou a posteridade dos judeus que fugiram para o Egito na época do cativeiro na Babilônia. E houve quem visse neles o resultado da catequese da antiga colônia judia de Elefantina.
O mais provável é que judeus e conversos ao judaísmo tenham chegado à Etiópia vindos da Arábia do Sul. As tradições das comunidades judaicas na península Arábica afirmam que refugiados hebreus já haviam ali se abrigado desde a época da destruição do primeiro templo. Que chegaram em números consideráveis após o ano 70, quando o segundo templo foi arrasado pelos romanos, tem-se por certo. E antes de 70, deviam existir, disseminados pela Arábia, núcleos de fiéis ao mosaísmo. Tendo pouco profunda as raízes, fácil era para eles mudar de exílio, encaminhar-se para uma nova terra da promissão. Nada mais natural do que participarem da aventura iemenita na Eritréia e no Tigre. Desembarcaram em pequenos grupos, com os outros imigrantes. E prosseguiram, na Etiópia, o processo, iniciado na Arábia, de conversão das populações que os cercavam. Este proselitismo, (individuo que abraça religião diferente da habitual) fez com que o Antigo Testamento e práticas judaicas impregnassem a vida etíope, talvez até mesmo antes da introdução do cristianismo.

As crenças dos falachas derivariam de um judaismo que parou no Pentateuco. Os que transmitiram deviam viver isolados, na Arábia ou na própria Etiópia, desde antes do início de nossa era. Com efeito, os falachas desconhecem o Mishnah e o Talmude babilônico e o hierosolimitano, não observam a festa do Purim, nem usam filatérios. Possuem em gueze - pois ignoram o hebraico - livros canônicos e apócrifos do Velho Testamento, alem de outras obras curiosíssimas, como os Mandamentos de Sabá (Tezaza Sanbat), em que o sábado judaico é personificado numa divindade, filha de Deus e mediadora entre Ele e os homens. Muitas dessas obras têm por fonte livros cristãos e pelo menos uma, A morte de Moisés (Mota Muze), origem islâmica, o que se coaduna com o intenso sincretismo que caracteriza a fé dos falachas. Dos cristãos adotaram, por exemplo, o monasticismo (que se refere ou pertence à vida de convento). Dentre suas práticas religiosas estão à glorificação de Sabá, a quem oferecem carne, bebida e incenso.
Quer através de judeus e de conversos, quer de iemenitas cujas crenças sincréticas estavam penetradas de mosaísmo, tradições do Antigo Testamento espalharam-se provavelmente pela Etiópia muito antes que a Bíblia ali fosse traduzida. Uma dessas tradições, que se desenvolveu, no Oriente Médio, num intricado e rico ciclo de lendas, está na base do mito nacional etíope, cuja forma se imobilizou no Kebra Negast ou Glória dos reis. Este livro foi escrito no início do século XIV, mas a história que conta, da rainha de Sabá, devia ter voga desde tempos muitos antigos na Etiópia.

-Kebra Negast.


*Rei Salomão recebe a Rainha de Sabá –

Kebra Negast*


Narra-se no Kebra Negast - e nas telas que os artistas abissínios pintam até hoje, segundo modelos tradicionais e dividindo o enredo em 44 quadrinhos – conta-se como, através de um rico mercador etíope, de nome Tamarim, a rainha de Sabá, que vivia numa aldeia próxima ao sítio onde se ergueria Axum, soube da sabedoria de Salomão e com ela tanto se impressionou, que "o amava sem o ver e todas as coisas que dele tinha ouvido, erão agora o que lhe matava a sede" - como está na transição que fez da lenda, nos primeiros anos do século XVII, o jesuíta Pero Pais. Desejosa de conhecer o rei dos judeus, partiu para Jerusalém, levando enorme carga de riquezas. Receberam-na com poupa e júbilo. E lá se demorou sete meses, a ver as obras de Salomão e a ouvir-lhe as palavras. Ao anunciar ao rei seu desejo de regresso, pelo coração deste passou o sentimento de que talvez o Senhor lhe houvesse trazido dos confins da terra aquela mulher cheia de beleza e saber a fim de que dela tivesse um filho. Convidou-a para um banquete, durante o qual lhe serviu comidas excessivamente condimentadas. E pediu-lhe, quando ela se preparava para retirar-se, que não se fosse, que dormisse no palácio. A rainha acedeu, mas o fez jurar que não usaria da força contra a sua virtude. Salomão prestou juramento, contra o voto da rainha de não tocar, durante a noite, em nada do que a ele pertencia. Pouco faltava para completar-se a armadilha. O soberano mandou pôr uma garrafa d'água no quarto da etíope. E instalou-se num leito defronte ao dela, onde fingiu dormir. Quando a rainha de Sabá, aflita de sede, tomou nas mãos a garrafa, Salomão lhe agarrou o braço e a acusou de faltar à palavra empenhada. Vencida a rainha cedeu. E o pintor etíope mostra-nos os dois soberanos no mesmo leito, envoltos numa colcha carmesim com bordados de ouro. O rei sonha: um sol resplandecente, que iluminava a terra de Israel, dela partia para a Etiópia, onde ficava para sempre.

Do amor de Salomão e da rainha de Sabá nasceu um menino, que tomou o nome de Menelique. Ao se fazer homem, quis conhecer o pai. a rainha mandou-o a Jerusalém e com ele o pedido de que Salomão o sagrasse rei da Etiópia, a fim de romper-se de vez o antigo costume de sobre os abissínios só reinarem donzelas, às quais se vedava o casamento. Salomão, que imediatamente reconhecera o filho, atendeu ao pedido e fez Menelique rei, com o nome de David. E quando, desesperançado de retê-lo em Jerusalém, começou a preparar o regresso do filho à Etiópia, chamou os grandes da terra e ordenou a cada um que lhe desse o primogênito, para integrar o séquito de Menelique. Os jovens inconformados em deixar para trás a Arca da Aliança - a caixa de pau de cetim, revestida por dentro e por fora de puríssimo ouro, na qual se guardavam as duas pedras em que Moisés recebera os dez mandamentos-, decidiram com as bênçãos dos anjos, leva-la em segredo. Do plano, nada disseram a Menelique. Mas o cumpriram. E em desabalada carreira, "com tanta velocidade como se voavam", - como escreve Pero Pais. A viagem fazia-se entre milagre e milagre. Num só dia, sem cansaço, sede ou fome, cumpriram o percurso de treze. E os exércitos de Salomão, que os perseguiam, tiveram de voltar, desanimados, o grande rei tristemente convencido de que se cumpria à vontade de Deus. Ao pôr o pé no Egito, os fugitivos descansaram. Estavam perto da Etiópia, perto das águas do rio Tacazé. E só então revelaram a Menelique que tinham com eles a Arca da Aliança. Logo depois, encontravam o "mar dos mares, o mar da Eritréia, e este os acolheu com a alegria de grandes ondas, sobre as quais passaram "seus carros levantados no ar como passáros". A fuga terminara. Chegavam felizes, às terras da Etiópia, onde até hoje, em cada igreja existe uma cópia em pequeno da Arca da Aliança, o Tabot, venerado nos altares e carregado, com unção, pelos padres monofisistas nas procissões dos dias santos.
Quanto ao mito, deu ele legitimidade, pelo menos desde o início do século XIV, à monarquia etíope. As constituições de 1931 e de 1955 (Haile Selassie I) o consagram, ao afirmarem que "a Dignidade Imperial ficará perpetuamente ligada à linhagem (...) que descende sem interrupção da dinastia de Menelique I, filho da rainha da Etiópia, a rainha de Sabá, e do rei Salomão de Jerusalém". Explica-se nele como a gente da Abissínia se transformou no verdadeiro povo de Deus, na nação escolhida, pois para lá se moveu, no sonho de Salomão, a divina presença, a grande luz de que o sol é metáfora, e para lá se transferiu, pela vontade do Senhor, a Arca da Aliança.



- Estabelecimento do reino de Menelique I.



E o Rei Davi II (Menelique I) veio e se ergueu perante Sião e ele saudou-a e fez obediência a ela, e disse: “Ó Senhor Deus de Israel, seja louvado, porque fizeste tua vontade e não a dos homens. Tu fizeste um homem sábio esquecer-se de sua sabedoria, e destruiu o conselho de teu conselheiro. Tu erguestes um homem pobre e assentou o solo de seus pés como uma rocha forte. Pois um copo cheio de glória está em tuas mãos para aqueles que amam a ti. E quanto a nós, nossa salvação virá de Sião e Ele removerá o pecado de seu povo, e a bondade e a misericórdia serão espalhadas por todo o mundo. Pois nós somos a obra de tuas mãos, e quem pode nos perturbar se Ele nos ama assim como Israel a seu povo?”.

E o povo da Etiópia tocou flautas e cornetas, baterias e gaitas, e o rio do Egito ficou estremecido com o som de suas canções; e com eles vinham choros de alegria. Então os ídolos que eles haviam feito com suas mãos na forma de homens, cachorros, gatos, altas torres, e também pássaros de ouro e prata, caíram e se transformaram em pedaços. Pois Sião brilhava como o sol, e com sua majestade eles ficaram consternados. Então prepararam Sião e puseram presentes a seus pés, a colocaram em sua carruagem, espalharam púrpura ao seu redor. A deixaram bela e cantaram canções a sua volta.

Então os vagões iniciaram sua jornada logo pela manhã, e o povo cantou músicas para Sião, e todos foram novamente erguidos como penas e se despediram do Egito, passaram pelas pessoas como sombras, e o povo venerou-os, pois viram Sião se movendo pelos céus assim como o sol, e todos correram atrás da carruagem de Sião, alguns atrás outros na frente.

Quando a sagrada Sião atravessou com eles que cantavam canções e tocavam harpas e flautas, o mar os recebeu e suas ondas saltaram e rugiram como um leão nervoso, e trovoou como o trovão de Damasco e Etiópia quando a luz abriu as nuvens. O mar venerou Sião, e seus vagões foram erguidos por sobre as nuvens.

E havia alegria sobre o mar da Eritrea, e o povo da Etiópia que havia vindo ao mar regozijou extremamente, com grande alegria, maior do que a de Israel quando ela veio do Egito. Quando eles chegaram ao Monte Sinai e pararam em Kades, eles permaneceram lá enquanto os anjos cantavam canções e as criaturas do mundo espiritual derramavam suas orações com as crianças da terra, com canções, salmos e tamborins, alegremente.

Novamente eles encheram os vagões e partiram, e rumaram para a terra de Medyam, e chegaram ao país de Belontos, que é um reino da Etiópia. Então acamparam lá, pois haviam alcançado a fronteira de seu país com glória e alegria, sem turbulências no caminho, através do vagão do espírito da noite dos céus e pelo Arcanjo Miguel. E todas as províncias da Etiópia regozijaram, pois Sião enviava uma luz como a do sol na escuridão, onde quer que ela fosse.

E o rei da Etiópia retornou ao seu país com alegria e felicidade; e marchando com suas canções, flautas e carruagens, como um exército de seres sagrados, os etíopes chegaram de Jerusalém a cidade de Wakeron em um único dia... e eles enviaram mensageiros para anunciar sua chegada a Makeda, a Rainha da Etiópia, e para reportar a ela como eles haviam encontrado todas as coisas boas, como seu filho havia se tornado rei, e como eles haviam trazido a sagrada Sião.

Davi II (Menelique I) o rei chegou com grande poupa a cidade de sua mãe e ela viu nas alturas a sagrada Sião sendo trazida como o sol. E quando a rainha viu isto ela agradeceu ao Deus de Israel, e o louvou. E ela reverenciou Sião, e ergueu sua cabeça e agradeceu ao Criador... Então ela bateu palmas, e gritou saudações com sua boca, e dançou no chão com seus pés, e adornou todo o corpo com felicidade e alegria.

Então os corações das pessoas brilharam com a visão de Sião, o Tabernáculo da Lei de Deus... e o povo da Etiópia abandonou seus ídolos, e veneraram o Criador, o Deus que os havia feito. E os homens da Etiópia amaram a pureza e a justiça que Deus ama. Eles abandonaram as antigas fornicações e escolheram a pureza que estava na visão da sagrada Sião. Eles abandonaram os deuses que na verdade eram demônios e escolheram o serviço de Deus. Menelique disse; “Eles também nos disseram e nos fizeram entender que nós carregamos a morte e a vida, e que nós somos como homens que tem o fogo na mão esquerda e a água na mão direita, e que podem por suas mãos em tudo que agradá-los. Pois a punição e a vida estão escritas”. A rainha disse então; “Meu filho, Deus te deu a pureza... ande sobre ela e não se afaste dela, pois vocês são os guardiões da Lei de Deus e os guias de seus mandamentos... vocês são os homens da casa de Deus e os guardiões de Sião, o Tabernáculo da Lei de Deus”. Assim se estabeleceu o reino de Davi II, Menelique I rei da Etiópia e de sua linhagem por dias sem fim. Seguiam rigorosamente prescições de dieta e de limpeza ritual e musical, semelhantes às de uso entre os judeus.


Etiópia cristã.



Para vencer o assédio e o isolamento, os abissínios apegaram-se ao passado e ao que os distinguia inteiramente dos vizinhos: o cristianismo, A Igreja Etíope passou a encarnar a própria nação.
Foi nessa época, que os cristãos abissínios se auto-identificaram com o povo escolhido do Velho Testamento. Tinha-se pela segunda gente de Israel, que, ante Deus, substituíra a primeira, por haver rejeitado o Messias.
Começaram, então recolher nos antigos textos bíblicos os exemplos que sistematicamente imitavam, na organização e aparência do estado, nas formas do culto, nos modos de vida sociais e caseiros. E a estabelecer linhas diretas de descendência e herança entre o povo judeu dos Livros Sagrados e a nação etíope, pretensa depositária da Arca da Aliança. Havia famílias, preponderantemente formadas por padres monofisistas, que reivindicavam descender de vários sumos-sarcedotes de Israel, assim como alguns povos abissínios se confundiam com as doze tribos bíblicas. No monte Sião, em Jerusalém, guardara-se a Arca da Aliança. Sião chamar-se-ia, a partir do século XIV, o reino cristão da Etiópia.


-Nove santos.


*Mural em Axum “Os nove santos”*



Diz-se dos Noves Santos que introduziram na Etiópia a liturgia e a música religiosa e traduziram para o gueze os Livros Sagrados. É possível que Frumêncio já tivesse iniciado a tarefa de verter a Bíblia pra o etíope antigo, mas seria com os Nove santos que os Testamentos tomariam forma em gueze, a partir de originais gregos e sírios, em vez de alexandrinos. As traduções retêm textos apócrifos que não mais existem completos no original, como o Livro de Enoch, a Ascensão de Isaías e o Apocalipse de Esdras.
Os missíonários sírios espalharam-se pelo norte da Etiópia, onde havia um templo dedicado aos deuses tradicionais puseram um santuário cristão, adaptando o antigo edifício ou sobre ele construindo um novo. A vida ascética (consiste no esforço metódico e continuado, com a ajuda da graça, para favorecer o pleno desenvolvimento da vida espiritual) por eles levada teve profundo impacto junto às populações rurais e lhes apressou a conversão.
Criaram-se vários mosteiros. A Abá Meta atribui-se a fundação de Debra Líbanos. A Apa Miguel Aragaui, o mais famoso dos Nove Santos, o estabelecimento, num dos altos de Axum, de Debra Damo, a quem deu uma regra baseada na de São Pacômio. Apesar disto, o monasticismo etíope vai ser marcado pelo modelo sírio, em vez de copta.
Desde essa época, o mosteiro como que predomina na estrutura da Igreja da Abyssinia. Mas é possível que o fascínio pela caridade através da oração e do sacrifício individual, no silêncio e no isolamento, tenha precedido a chegada de Aba Meta, dos Justos e dos Nove Santos. Nada mais natural, pois a conversão da Etiópia coincide com o instante histórico em que mais alto se tinham o exemplo dos ascetas, tanto em sua forma solitária - exaltada por Santo Antônio - quanto na comunitária - instituída por São Pacômio. E vizinhas da Etiópia ficavam as terras do Egito, da Síria, da Arábia e da Ásia Menor, onde mais era intensa a voga do ascetismo.
A tradição põe nos tempos do rei Ezana e seu irmão Sezana numerosas igrejas, cavadas ou recortadas na pedra, existentes no Tigre. E situa nos reinados de Calebe e de Gebra Mascal várias outras. Retratam elas - bem como as que continuariam a li construir-se, em idêntico estilo ou de fisionomia semelhante, durante mais de um milênio - a mesma prevalência da meditação ascética sobre as obras no mundo, como meio de atingir-se a salvação. E exprimem certa maneira de ser e adorar que é bem de Bizâncio e dos ritos cristãos orientais, cujos monastério e igrejas procuram altear-se da terra e afastar-se do comum da vida.
Assim como os anacoretas, as velhas igrejas de Tigre vão ocultar-se em cavernas, no mais longe das montanhas. E como os estilitas a empoleirar-se no alto da colunas, colocam-se na proa dos penhascos. Nisto seguiam também uma tradição local, pois os templos dos pagãos etíopes situavam-se geralmente em lugares elevados. Quase todas essas velhas igrejas são de difícil acesso e isoladas das aldeias. Algumas só podem ser atingidas após dura escalada. E noutras sobe-se por escadas de cordas, lançadas de portais abertos na rocha.
Tal como ocorre nas mais antigas igrejas urbanas da Etiópia - nas quais avultam as influências da arquitetura do Mediterrâneo oriental, a forma de basílica e, algumas vezes, a abside semicircular -, nos templos e cenóbios do Tigre aparece clara a mesma linha de tradição que fez escavar na pedra as moradas dos homens e dos deuses, em toda área do Oriente Médio, e que deixou, entre outros exemplos igualmente famosos, Petra, na Jordânia, e Goreme, na Capadócia.
Algumas poucas igrejas ou refúgios de Monges do Tigre resultam da ampliação de cavernas preexistentes. Em vários casos, recortaram-se, no fundo da cova, absides e abóbadas, arcos e pilares. Outras igrejas foram escavadas na parede da montanha ou numa grande saliência de rocha, tendo, no interior, o aspecto, a um só tempo monumental e recolhido, de um templo românico europeu. Um terceiro tipo traz em si as promessas do que viriam a ser as grandes igrejas de Lalibela. Nos templos desse tipo, três dos lados projetam-se para fora da montanha de que foram recortados, tal qual uma igreja com o fundo colado na penha. E, finalmente, há casos em que se combinam o corte, o escavar e o desbaste da pedra com a construção corriqueira. Partes do templo são lavradas na rocha, e certas paredes são edificadas à maneira tradicional axumita: vigas de madeira alternando com camadas de pedra.


-Lalibela.



Todos estes receberam a honra de rei dos reis - Morara, Tentauidim, Iemereana-Cristos, Harbé, Lalibela, Neacueto-Leabe e Ietbareque - dedicaram-se zelozamente a expandir a fé e a reconstruir em terras abissínias a glória de Jerusalém.
Iemereana-Cristos foi ele próprio sacerdote. Ordenara-se antes de subir ao trono e, rei, continuou a rezar a sua missa. Dele se sabe que mandou no período fatímida do Egito e no início do domínio dos aiubidas. E que deve ter sido o primeiro dos Zaguês a devotar-se com afinco à construção de igrejas talhadas na pedra. A ele atribui-se a quem tem o seu nome, nas proximidades de Adefa - a nova capital,
em pleno Bugna.
Perto
de Adefa, seu primo o rei Lalibela, mandou escavar na pedra um dos mais extraordinários conjuntos de templos que se conhece. Tão extraordinário que o padre Francisco Álvares, ao gastar algumas páginas de sua Verdadeira informação das terras do Preste João da Índias a descrevê-lo, temeu que se tomassem suas palavras por patranhas, que não desse fé ao que por duas vezes calma e detidamente vira.
Lalibela - diz-nos o sacerdote português - quer dizer "milagre". Porque desde o berço, recebeu sinais de escolhido. Ao nascer, as abelhas cobriram o seu corpo "e o limparam sem dano nenhum". E a tradição nos conta que foi, antes de sua investidura como rei, levado pelo ar até Jerusalém, onde Jesus lhe apareceu, mostrou-lhe os lugares santos e as igrejas que ali se erguiam, instando-lhe que as reproduzisse na Etiópia.
As igrejas são onze. No local que tomou o nome do rei, mas dantes se chamava Roha, devem datar do início do século XIII, pois se tem como certo que pelo menos entre 1205 e 1225 Lalibela era o negachi da Abissínia.
Um rio - chamado Jordão - corre entre duas colinas. Numa delas há seis templos, entre os quais o do Gólgota, onde numa capela se reproduz o Santo Sepulcro. No outeiro defronte, ficam quatro outras igrejas. E a undécima está separada das demais.
Elas são divididas em quatro grupos:
-As igrejas do Norte: Casa do Salvador do Mundo, Casa de Maria, Casa Gólgota, Capela Selassie e Túmulo de Adão.
-As igrejas Ocidentais: A Casa de São Jorge; a mais preservada e bela das treze igrejas.
-As igrejas Orientais: Casa de Emanuel, Casa de Gabriel e Casa Abba Libanos.
-Monastérios de Ashetan Maryam e Iemereana Cristos.
A Casa do Salvador do Mundo é a maior delas, e também é a maior igreja do mundo construída
em pedras. Ainda há monges etíopes seguidores que moram nessas cavernas. A liturgia das doze igrejas continua a ser no Geez antigo. O incenso queimado em rituais religiosos de hoje foram herdados do antigo cristianismo etíope. O cristianismo da Etiópia é um dos mais antigos do mundo, tem cerca de 1600 anos. A teologia da Igreja Ortodoxa Etíope mantém ritos do Antigo Testamento, como a guarda do Sábado, a circuncisão no oitavo dia após o nascimento, a abstenção da carne de porco.
Lalibela é uma cidade no norte da Etiópia. É a segunda cidade mais sagrada daquele país, atrás apenas de Aksum. Por isso é considerada um grande destino de peregrinação. O Cristianismo, a religião de Lalibela, é pregado através da Igreja Ortodoxa Etíope, uma das únicas igrejas cristãs pré-colonialismo da África Subsaariana. Lalibela tem cerca de 15 mil habitantes e está a aproximadamente
2.500 metros acima do nível do mar.
Durante o reinado de Gebre Mesqel Lalibela, Negus (título usado por um rei e às vezes por um governante vassalo no antigo Estado monárquico etíope) entre os séculos XII e XIII, a cidade de Lalibela era conhecida como Roha. Um enxame de abelhas rodeou Gebre durante seu nascimento. Lalibela, nome dado por sua mãe, então, significa “as abelhas reconhecem sua soberania”. O objetivo do Negus era criar uma Nova Jerusalém para aqueles que não poderiam visitar a Terra Sagrada. Alguns escritos afirmam que Gebre Mesqel Lalibela esteve realmente em Jerusalém e se baseou nelas para construir as igrejas de Lalibela, a grande atração da cidade. Mas é verdade que nenhuma igreja de Lalibela pode ser considerada uma cópia, já que cada uma delas possui uma arquitetura única. Lalibela é, hoje, conhecida em todo mundo pelas suas igrejas monolíticas, isto é, construídas num único bloco de rocha. São, no total, treze construções. Apesar de tê-las mencionado dessa forma, é errado dizer que as igrejas de Lalibela foram construídas. Elas foram escavadas. Primeiramente, cavaram fendas em todos os quatros lados da rocha, depois começaram a escarificar o seu interior. Com uma das igrejas tendo
25 metros de altura, é espantoso saber que escavaram tudo aquilo apenas com martelos e cinzéis. Algumas lendas dizem que anjos vinham toda noite para ajudar os trabalhadores. Uma das igrejas, Bet Maryam, (Casa de Maria, contem um pilar de pedra onde o Negus Lalibela escreveu o segredo da construção das igrejas. É coberto por panos antigos e somente eclesiásticos podem vê-lo. Esculpidas na rocha viva, por ordem do rei Lalibela (século 12 da era cristã). Àquela altura, os cristãos tinham por tradição visitar ao menos uma vez na vida a cidade de Jerusalém (como hoje os muçulmanos fazem com a cidade de Meca, seu centro religioso). Como Jerusalém estava dominada pelos árabes, os cristãos não podiam exercer essa tradição. Assim, enquanto os católicos europeus passaram a se voltar para Roma (até hoje, ocorrem peregrinações à cidade italiana a cada 25 anos, nos anos terminados em 0, 25, 50 e 75, de cada século), Lalibela decidiu construir uma réplica de Jerusalém em seu reino. A Etiópia tem uma das mais antigas tradições cristãs. Para seus fiéis, de tradição copta, a peregrinação a Lalibela tem o caráter de uma viagem a Jerusalém. O projeto do Negus Lalibela teve dois resultados inesperados: a criação de um lugar sagrado com beleza sem paralelos e a conversão do rei etíope em um seguidor da vida religiosa. Depois de 20 anos de trabalho, Lalibela abdicou do trono e se tornou um eremita, e viveu pelo resto de sua vida numa caverna, se alimentando apenas de raízes e vegetais. Foi assim que Gebre Mesqel Lalibela se tornou um dos santos da Igreja Ortodoxa Etíope. As igrejas continuam ativas desde o século XII. Os primeiros europeus a verem os extraordinários lugares sagrados foram exploradores portugueses em 1520. Um deles disse num jornal que a vista foi tão fantástica que ele esperava que seus leitores o chamassem de mentiroso. As coberturas das igrejas de Lalibela estão no nível da terra e são alcançadas por escadas que descem pelas fendas que circundam as escavações. As igrejas são conectadas por túneis e passadiços que se estendem por todo o local. As igrejas de pedra cortada são simples, mas belas com suas aparentemente frágeis janelas, molduras de vários tamanhos e formatos, diferentes formas de cruzes, suásticas (que possuem significado religioso) e até mesmo tracejos islâmicos. Algumas das igrejas possuem ainda pinturas nas paredes. Cada igreja possui um padre residente. A mais
famosa das igrejas é, sem dúvidas, Bet Giorgis (Casa de São Jorge). Está localizada na parte ocidente do grupo. Tem uma grande cruz em seu topo e possui seu interior plano, contrastando com a maioria das outras. Foi construída após a morte de Lalibela, aproximadamente em 1220, por sua viúva, com o objetivo de servir como um memorial para o santo-rei. Em 1978, as Igrejas Escavadas na Rocha de Lalibela foram classificadas pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. Mas todas são simples comparadas aos interiores com colunas, arcos e abóbadas cobertas de cruzes, laços, palmas, rosetas, estrelas de Davi, círculos entrelaçados, volutas, motivos florais, tudo lavrado na pedra e pintado por cima. E nas paredes - são notáveis as da Igreja de Santa Maria e São Mercúrio - espalham-se as imagens de santos e anjos e as cenas bíblicas, expressas num dialeto de Bizâncio, em tudo semelhante ao que se deu o nome, no Ocidente de românico. Os santuários de Lalibela dão prova do intenso fervor religioso da Etiópia. Era essa confiante fé que fazia com que cada abissínio aspirasse a rezar na própria Terra Santa. O volume de peregrinos que a demandavam aumentou sobretudo depois que Saladino em 1189, expulsou os cruzados de Jerusalém e entregou aos etíopes a igreja da Verdadeira Cruz. Lá iam eles, Egito acima, em grupos de milhares de pessoas, a cantar, a rufar tambores e a acenar bandeiras. Bem menor era o número dos que regressavam: os que conseguiam escapar de doenças, das tribos inimigas, dos bandidos e dos mercadores de escravos. Os zaguês foram possivelmente arcaizantes. Devotos dos costumes antigos, colhiam seus exemplos no passado e buscaram restaurar, em Adefa, a grandeza de Axum. Na época deles, não floreceram apenas a arquitetura e a pintura, mas também a escultura e a iluminação de livros. Iniciou-se igualmente em forte movimento de criação literária, cujo auge irá marcar os séculos XIV e XV.

Essa história retrata o inicio e os primeiros passos da fé dos Patriarcas e Matriarcas que lutaram para defender até mesmo com suas próprias vidas, a fé, vida santa, o sarcedôcio de homens que tem como principal foco o serviço a Deus, caridade, igualdade de direitos e defender a fé e a cultura original desse povo, que como diz no Kebra Negast: “Ama a pureza que Jah ama.”

Que Jah sustente toda essa geração que se levanta pra continuar fazendo a Etiópia se estender até ao mais Alto Jahoviah Rastafari Selassie Nyahbinghi Ammauel Isus Kristos

No ano de 1930 Ras Tafari ascendeu ao trono da Etiópia , tornando-se Imperador Haile Selassie I, que significa Poder da Santíssima Trindade, 225° filho direto da linha salomônica dos reis, Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, Leão Conquistador da Tribo de Judá, Defensor da Fé e Luz do Mundo.





Textos retirados de:

“A enxada e a lança” – África antes dos portugueses.

“Kebra Nagast” – A glória dos reis.

Adaptação por irmão Ronaldo – Ras Mocambo – 2009 – 2010.








Holding on to Jah

Esconderijo - Ana Cañas