quinta-feira, 26 de julho de 2018

Vovó.

Eu me lembro que de ti não fui gerada,

De ti fui criada,
Do teu amor fui alimentada,
Todos os dias muito bem amada,

Seu colo escondia um cheiro bem de casa,
Seu acolher desfazia todas as mágoas,
Suas histórias me agraciavam,
Tu quem me ensinou sobre África,

Eu sei que não foi diretamente, mas indiretamente,
Teu amor pela tua terra, me ensinou a enxergar em eu mesma, 
aquele potencial,
Aquele amor real,
Que só sentia quando atravessava o quintal e corria em teus braços chorar,

Quantas vezes escutou meus segredos sem segregar,
Por quanto tempo me estendeu a mão, mesmo sabendo que estava a errar,
O tamanho da minha gratidão, eu espero que chegue até o céu, ou mar,
Porque o verbo amar aqui está sem dúvidas em primeiro lugar,

São tantas coisas que poderia compartilhar, mas eu prefiro silenciar,
E homenagear a vovó Maria sem muito falar,
Só fechar os olhos e em Sião imaginar,
Que tu com seu vestido de flores, está sentada à me observar,
Guardar, curar e principalmente amar...

A doce amarga realidade.

A doce realidade da solidão,

Não existe comparação,
Os outros podem cita-lá a ti, mas não sabem da tua imensidão,
A doce verdade da palavra só numa manhã de lua Cheia como o pó,
Que se vai como um grão só e se volta para o chão, só.

A cada etapa um novo ser,
A cada dia obviamente um novo amanhecer, a cada passo a insegurança,
A cada magoa a doce lembrança,
De por mais que tu ache que estejam, não estão,
Não existe a tal comparação,
Da solidão ser enfrentado doce, feliz,
Amarga como o gosto da última vez sofrida e mal amada.

Amargurada usa-se a ancestralidade da perca para
A reviravolta da terça,
Que um dia era pra ter sido só, mas não foi,
E descobriu que está só, como o nó que precisa desatar
Para poder prosperar, vivenciar,
Crescer e mudar.

Cada qual com sua peia, cada qual com seu quadrado, cada qual no seu próprio grado.
Porque por mais que estamos juntos o fato é que estamos só de bom ou não grado.

Holding on to Jah

Esconderijo - Ana Cañas