sexta-feira, 27 de maio de 2016

Não me calarei.

Indignante, repudiante, horrorizante, chocante e angustiante,
Não foi só com uma, são com uma por cada 11 minutos,
Como pôde tu?
Ter o olho maior que a pele e sangue de urubu!
Esquece do ventre que te fez, esquece do ser que te criou,
Esqueceu-se do que mais, do amor, do pudor?
Dos olhos brilhantes que se ofuscaram, dos gritos e do choro derramado,
Da pureza, de seda e de renda, rasgou a fenda realeza,
Tirou um passado cheio de vitória, tirou o presente de glória,
O futuro traumatizou, para que tanto rancor?

Eu e nós guardamos a raiva, o ódio, a sensação de não utilidade,
Vidas rasgadas na puberdade,
Não consigo falar, só consigo pensar, penso em orar, mas me sinto inútil,
Por que raios, filmaram e postaram seres inúteis?

E mais homens viram, sorriram, se excitaram e se calam,
Diante de uma barbaridade, nada falam
'Não posso fazer nada, e dai? Pra que tanta preocupação se não foi em ti?'
Cala a boca antes que te arrebente, machismo predominante cheio de dente,
E digo mais, não são só homens, mulheres 'machos' também se atraem,
'Ele que pediu, a roupa curta que vestiu, estava aqui acolá'
Mulheres ignorantes temem a falar!

Presta atenção, sou só mais uma em um milhão, bilhão, trilhão,
De mulheres revoltadas, tristes, caladas, solitárias,
Que buscam a tal de sororidade, irmandade, unidade,
Mas nada adiantará se tu não fizer a sua parte,
Denuncie, informe, grite, ressucite, acorde e lute pelo teu!
Pelo meu, pelo nosso, pelo teu,
Direito, liberdade e dignidade,
Dignidade esta de poder sair livre, sem medo, sem medo de homem,
Homem mau sem coração e sem pudor,
Chega de ser lutar em vão e sem amor.

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