Retorn-ar.






Naquele dia, fechei os olhos e senti África pulsar, 
Numa grande roda, corações juntos estavam a celebrar,
Voltei a 500 anos atrás, 
Em épocas de grandes cafezais, 
Onde nós que éramos excluídos, hoje nos vemos como cristais.
Um arrepio tomou conta do meu corpo, 
como se a minha família estivesse a bordo,
Naquela comunhão de canção, eu rapidamente retornei à Sião.

Porém com tantos cantos de lamento,
Toma se conta também o sofrimento 
daquele momento de chibatas, açoites e mordaças,
Ontem tiraram por séculos nossas falas 
que hoje são perpetuadas e servem para que os mesmos que batiam, 
aplaudam, apropriam-se e se acham donos,
De um lugar onde eles mesmo queimaram e nos humilharam a rodo...

Por um momento cantando olhava para o lado 
E os via, batia uma certa rebeldia, 
A tal da raiva que vivia escondida e hoje é expressa 
Como pagamento de "dívida".
Dívida essa que não existe valor a se pagar,
Não existe preço por terem tirado nosso lar.

Porém, com a nossa melanina
Auto-estima e rebeldia, usamos essa força para dar a volta por cima, 
Criar novos quilombos onde possamos nos fortalecer,
Para revisitar e relembrar o nosso poder,
Pois somos filhos da vitória, 
Nossa honra e nossa glória jamais será detida,
Pois ela existe dentro, dentro de nossa soberania.
Aquela humilde roda de samba me fez relembrar por segundos, 
Chorar e clamar por uma volta ao nosso lar,
Me fez relembrar dos meus, e não esquecer onde estou e para onde eu vou.
Recriando novas rotas, direções e silêncio.
Para se mover novamente ao essênio, ou seja dentro.
E voltar pra casa com a certeza de trazer os meus, para que este quilombo 
Se torne um apogeu de memórias e novos Eus,
Recriadas de sentimentos e fortalecidos por tal momento.
Agradeço a Exu por esta encruzilhada da vida,
De grande valia, essa benção recebida.
Axé.


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