Eu não vi Mamãe Osun na cachoeira não.

 

Pois é, 

dessa vez não vi mamãe Osun na cachoeira não,

Foi bem na beira do asfalto através das chuvas noturnas de dezembro,

Num choro infinito ao relento,

De não entender ao certo quais são os processos da vida,

Não justificar quando deveria, não ter corrido o risco,

como deveria,

e não ter agido como realmente poderia.

Eu vi Mamãe Osun desaguar em prantos em minha solidão,

Pois foi bem quando estava na escuridão,

Ela não se manifesta só no amor não, ela se manifesta na dor e na confusão,

Na solidão, se mostrando, que você mesma pode ser curar, 

que igual as águas que inundaram o asfalto após o choro da terra, 

veio a cura e secou tudo que havia debaixo dela,

Agindo no oculto do profundo daquele sentimento imundo e trazendo clareza a sua própria beira do abismo,

Consumindo todo o amor em dor e falta de abrigo,

Osun quando aparece é pra te mostrar determinação, alinhar seus caminhos e também mostrar toda a sua escuridão,

não se deixar habitar só no ego do amor próprio não, 

é também se culpar, errar, apontar a si próprio a ponto de até querer se suicidar,

enterrar-se na terra pra poder alcançar o seu curar,

reforço das mesmas palavras pois o ensino é pra que seja aprendido, 

sentido e ultimamente vivido, 

para que nesse desaguar venha o transformar 

e transformar a sua solidão como a própria lição,

E desaguar suas águas escuras para novos rios cristalinos, puros e límpidos,

refazendo sua rota ao infinito,

Desaguando em outros rios de soberania, 

sabedoria e discernimento, 

não pede só amor não, que junto vem sofrimento,

Deixe que as águas te levem por onde deve ir,

Deixe que o desaguar venha, pro teu sentir,

Desague e deixe ela se mostrar 

para o que é certo vir ao teu lugar.

Seja nas cachoeiras ou no asfalto do teu próprio lar,

Quando a cura vir, deixe ela te alcançar...

Comentários

Postagens mais visitadas