quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Um dia preto na escravidão.

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"Quando fecho meus olhos,
Relembro do quão foi forte o que meus ancestrais sofreram,
Sinto em mim, o sangue derramado, sinto em mim os gritos,
Sussurros nas senzalas silenciosas, sinto em mim a dor de parir um filho que não era pra ser seu,
Sinto em mim, o cansaço do trabalho sob o sol dourado, seguido de gritos, chingos, cuspes, maus tratos,
Sinto meus avós sendo amordaçados,
A voz que não foi dita, a voz que não foi ouvida,
Sinto dentro de mim, como carrego essas dores,
Esse choro constante sem saber porquê,
Sinto por meus homens que guerrearam por guerras que não eram suas,
Sinto em mim o abandono de suas famílias por morrer por outros,
Sinto a dor daqueles que perderam suas tribos em busca de trilharem, cruzarem e se espalharem pelos oceanos do mundo,
Plantando, re-platando com suas inteligências em outros caminhos, o novo mundo,
Sinto em mim, essa dor, carrego essa dor, choro sem saber por quê,
Porque sei, sei que foram eles, que me trazem aqui, que fazem que minhas palavras ecoem como versos curativos pelo hoje,
Pelo silêncio, pelo sangue, pelo suor, pelo olhar,
Pela cor, por amor, por amor sim,
Porque, se foi, simplesmente, se foi só mais um dia,
Sim, mais um dia, de escravidão, na ancestralidade, neste momento aqui, neste exato momento, pros nossos ancestrais..."


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