quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Para aqueles que não conhecem Lalibela.







Lalibela é uma cidade da Etiópia onde se encontram igrejas monolíticas, esculpidas na rocha viva, por ordem do rei Lalibela (século 12 da era cristã).




 Àquela altura, os cristãos tinham por tradição visitar ao menos uma vez na vida a cidade de Jerusalém (como hoje os muçulmanos fazem com a cidade de Meca, seu centro religioso). 


Como Jerusalém estava dominada pelos árabes, os cristãos não podiam exercer essa tradição. Assim, enquanto os católicos europeus passaram a se voltar para Roma (até hoje, ocorrem peregrinações à cidade italiana a cada 25 anos, nos anos terminados em 0, 25, 50 e 75, de cada século), Lalibela decidiu construir uma réplica de Jerusalém em seu reino. A Etiópia tem uma das mais antigas tradições cristãs. 




Para seus fiéis, de tradição copta, a peregrinação a Lalibela tem o caráter de uma viagem a Jerusalém.


Segundo a tradição local, os primeiros Etíopes eram judeus, os Falachas, cujos últimos membros acabaram por emigrar para Israel em 1980.

O cristianismo foi introduzido no reino de Axoum pela Igreja egípcia copta no século VI.

As treze igrejas da cidade de Lalibela foram escavadas na pedra a ambos os lados do rio Jordão e comunicadas com túneis e passadiços. 



Lalibela é um encontro com o passado e com as origens do cristianismo, numa época em que os ritos cristãos, muçulmanos e judeus ainda se confundiam. Estas igrejas foram construídas para baixo, talhadas na própria pedra da montanha. Foi uma estratégia perfeita para passarem desapercebidas perante as invasões de grupos islamitas. 




Nas montanhas escuras de Wallo, no norte da Etiópia, ergue-se uma obra-prima de pedra viva. Onze igrejas monolíticas escavadas nas rochas de basalto vermelho dos montes de Amhara por volta do ano de 1200, construídas com a intenção de representarem a Terra Santa. Divididas em dois grupos, estão separadas por um canal simbolizando o Rio Jordão, mas unidas entre si por redes de trincheiras e túneis, decoradas internamente com deslumbrantes pinturas na parede.
Ainda hoje lugares de peregrinação e de culto assinalam o ponto culminante da arte aksumita.







O reino de Aksum ou Axum, situado na costa meridional do Mar Vermelho, foi cristianizado por volta do sec. IV, quando o rei Ezana se deixou baptizar por S. Frumêncio, seu perceptor e fundador da Igreja Copta da Etiópia.
Com a invasão muçulmana no sec. VII, o reino ficou isolado do mundo bizantino, mas manteve a sua ligação com Alexandria conservando-se fiel à sua religião.
Em 1187, com a conquista de Jerusalém por Saladino, as peregrinações dos etíopes tornam-se difíceis. Nos princípios do sec. XIII, governava em Aksum o rei Lalibela (1190-1225), da dinastia Zagwe, que, segundo uma lenda concebeu o plano de construir uma nova cidade santa depois de Cristo lhe ter aparecido em sonhos. Uma grande quantidade de anjos e querubins desceu dos céus para ajudarem na construção das onze igrejas monolíticas escavadas na rocha, por volta do ano de 1200. Por este motivo uma das igrejas está dedicada aos arcanjos Gabriel e Rafael. S. Jorge, patrono do reino, foi quem dirigiu os trabalhos de escavação para edificação dos templos, tendo-os dotado de um eficiente sistema de drenagem à sua volta. A sua igreja, Bet Giyorgis, escavada de cima para baixo, é a única em forma de cruz.









Esta cidade, então chamada Roha, passou a designar-se Lalibela em homenagem aos trabalhos realizados pelo rei. Embora haja mais destes templos espalhados pelo interior da província, não se podem comparar com os de Lalibela em ornamentação e acabamentos.
O padre português Francisco Álvares, o primeiro europeu a visitar a Abissínia e que por lá ficou entre 1520 e 1526, ao descrever mais tarde aqueles monumentos, disse que em mais nenhuma parte do Mundo existiam igrejas assim! A descrição continua válida…
Construídas no estilo bizantino com as naves e as três entradas rituais, calcula-se que tiveram de ser retiradas da rocha a escopro cerca de 100.000mts. cúbicos de pedra, estando quatro das capelas totalmente separadas da encosta.

Segundo a Kebra Negast ou Nagast (uma epopeia gloriosa escrita em ge’ez por volta do sec. XIV que conta a história dos soberanos etíopes), a dinastia reinante era também herdeira da tradição israelita, pois o imperador Menelik I, sendo filho de Salomão e da Rainha de Sabá, descendia pela linha paterna da Casa de David. Além de que, no retorno da única visita que fez ao reino de Israel para conhecer o seu pai, trouxera consigo a Arca da Aliança onde se encontravam guardadas as Tábuas da Lei dadas por Deus a Moisés. 


Estas relíquias da Cristandade foram encerradas na Igreja de Santa Maria de Sião, em Axum, onde, segundo a tradição ainda se mantêm.



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