terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Da solidão ao "estar só".





As pessoas acham que solidão é sinônimo de tristeza. 
É uma interpretação errada,
porque tudo o que há de belo sempre 
acontece quando se está sozinho
nunca no meio de uma multidão.

Estamos condicionados a achar que ficar 
sozinho provoca mal-estar. 
E que a felicidade reside em estar com outras pessoas. 
Isso nem sempre é verdade. 

A felicidade que se origina em estar com 
outras pessoas é muito superficial, 
enquanto a felicidade que surge quando você está
sozinho é muito profunda
Portanto, aproveite-a.

A palavra "solitário" provoca tristeza em você. 
Não pense nisso como solidão, 
e sim como "estar só". 
Pense em "estar sozinho", mas não em isolamento. 
As palavras incorretas podem criar problemas.

Pense nisso como um estado meditativo
o que de fato é. 
E aprecie aquilo que ele traz.

Cante, dance ou apenas sente-se em silêncio em frente à parece,
esperando que algo aconteça.Faça disso uma meditação e
logo você descobrirá uma qualidade diferente, 
que não tem nada a ver com a tristeza.

Quando se mergulha completamente na profundidade da solidão, 

todos os relacionamentos parecem superficiais. 
Mesmo o amor não pode ir tão fundo quanto o "estar só"
porque o amor pressupõe a presença de outro e essa presença 
mantém você mais perto da periferia.

Quando não há ninguém e você de fato está sozinho,

o perigo é começar a afundar e afogar-se em si mesmo. 
Não tenha medo. No começo esse afogamento se parecerá 
com a morte e uma melancolia irá cercá-lo porque você só
conheceu a felicidade com outras pessoas, 
em outros relacionamentos.

Espere um pouco. Deixe-se afundar até que o silêncio 

se imponha e traga, junto com ele, uma espécie de dança, 
um movimento em seu interior. Nada se move e ainda 
assim tudo é muito rápido. Os paradoxos se encontram 
as contradições se dissolvem.

Sente-se em silêncio em frente à parede, relaxado mas alerta.

A qualquer momento algo pode surgir em você. 
Não há para onde ir: em qualquer direção que você olhar 
haverá uma parede. Paredes são muito bonitas. 
Não coloque nem mesmo um quadro, deixe a parede lisa.

Quando não há nada para ser visto, aos poucos o seu

interesse em ver desaparece. Paralelamente, 
outra parede se levanta — a parede do não-pensamento.

Permaneça aberto e sorria, murmure uma canção 

ou então balance o corpo suavemente. Pode dançar, 
se quiser, mas saia da frente da parede. 
Deixe que ela seja seu objeto de meditação.

É preciso chegar a um acordo com a própria solidão. 

Enfrente-a e você perceberá que ela muda sua cor, 
muda sua qualidade — até seu
 sabor fica totalmente diferente: a solidão se 
transforma em "estar sozinho".

O isolamento vem acompanhado de sofrimento,

 mas a solidão é uma extensão da felicidade.


Osho, em "Uma Farmácia Para a Alma"

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