quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Dividir.

Divido aqui todos os meu objetivos

Metas para os próximos dias, refletidos:

Número um é sempre agradecer, pelo dom sagrado da vida 
que faz em mim diariamente, florescer

Número dois é revitalizar, 
Usar a energia sagrada do sol para me curar,
Tirar meia hora para em seus braços repousar;

Já o número três é me perceber,
Olhar no espelho, me reconhecer,
Me valorizar, trazer para dentro o auto conhecimento
Me projetar, olhar fundo dentro dos meus olhos, consagrar,

De número quarro, não posso continuar esquecendo do meu retrato de afago,
Entender quais são meus altos e baixos, e o resguardo,
Olhar sempre para eu, auto-cuidado,

Número cinco cuidar do meu corpo,
Voltar a usar as ervas como sagrado dom de conhecimento,
Retornar ao passado como forma de aleitamento,
Banhos, chás, alimentação viva em forma de se fazer cítrica e transmutada.

Número seis ainda cuidando do corpo,
Praticando o que gosto, mergulhando, correndo, 
Exercitando o corpo, para não deixar a mente adoecer,
Exercer sempre olhando para dentro, para mais uma vez, 
Cuidar do coração e florescer,

Número sete é ter fé,
Continuar meus estudos apontados para os céus, e 
buscando a ancestralidade interior
Sagrado é divino dom que é um primor,
Místico em movimento, não necessita de fala,
... só se observar e continuar na caminhada.

De número oito ler, reler,
Jamais deixar de aprender,
Cada livro lido é vencer, 
Cada vez que pensar em falar,
É fechar os olhos e se encontrar,
Nas palavras, encorajar.

Número nove, é uma gota menos de Oshun,
É ser um pouco mais egoísta,
Pensar mais em si, e se conhecer,
Escurecer como forma de aprender,
Toda vez que buscar querer ajudar o próximo,
É entender se isso não vai te prejudicar ou atrapalhar.

Dentre todas essas metas,
O importante é saber que dentro de você,
Existe uma luz gloriosa, e força misteriosa 
Que muito pode te fazer crescer,
São só pequenas para grandes metas de um estado 
interior de necessidade de auto-cura,
Cansaço, e amargura,
De começar a viver só dentro da selva de pedra fria e crua.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Vovó.

Eu me lembro que de ti não fui gerada,

De ti fui criada,
Do teu amor fui alimentada,
Todos os dias muito bem amada,

Seu colo escondia um cheiro bem de casa,
Seu acolher desfazia todas as mágoas,
Suas histórias me agraciavam,
Tu quem me ensinou sobre África,

Eu sei que não foi diretamente, mas indiretamente,
Teu amor pela tua terra, me ensinou a enxergar em eu mesma, 
aquele potencial,
Aquele amor real,
Que só sentia quando atravessava o quintal e corria em teus braços chorar,

Quantas vezes escutou meus segredos sem segregar,
Por quanto tempo me estendeu a mão, mesmo sabendo que estava a errar,
O tamanho da minha gratidão, eu espero que chegue até o céu, ou mar,
Porque o verbo amar aqui está sem dúvidas em primeiro lugar,

São tantas coisas que poderia compartilhar, mas eu prefiro silenciar,
E homenagear a vovó Maria sem muito falar,
Só fechar os olhos e em Sião imaginar,
Que tu com seu vestido de flores, está sentada à me observar,
Guardar, curar e principalmente amar...

A doce amarga realidade.

A doce realidade da solidão,

Não existe comparação,
Os outros podem cita-lá a ti, mas não sabem da tua imensidão,
A doce verdade da palavra só numa manhã de lua Cheia como o pó,
Que se vai como um grão só e se volta para o chão, só.

A cada etapa um novo ser,
A cada dia obviamente um novo amanhecer, a cada passo a insegurança,
A cada magoa a doce lembrança,
De por mais que tu ache que estejam, não estão,
Não existe a tal comparação,
Da solidão ser enfrentado doce, feliz,
Amarga como o gosto da última vez sofrida e mal amada.

Amargurada usa-se a ancestralidade da perca para
A reviravolta da terça,
Que um dia era pra ter sido só, mas não foi,
E descobriu que está só, como o nó que precisa desatar
Para poder prosperar, vivenciar,
Crescer e mudar.

Cada qual com sua peia, cada qual com seu quadrado, cada qual no seu próprio grado.
Porque por mais que estamos juntos o fato é que estamos só de bom ou não grado.

domingo, 8 de julho de 2018

Ando intensa...

Ando tão intensa a ponto de sentir energias oriundas,

Vindas de mentes imundas cheias de amargura e solidão,

Ando tão intensa que sinto cheiro de mato,
Sinto em mim a doce dor da perda e do mal trato, lidado diariamente pelo tato,

Ando tão intensa que confundo o que é em conjunto se de fato seria em conjunto,
Por solidão.

Ando tão intensa que queria sair de perto de todo mundo, 
Ficar só no mundo, para saber de fato se todo esse sentimento é a tal de solidão,

Ando tão tão intensa que só queria uma brecha para que o mundo
Me desse um respiro, para que sinta alívio para poder não entrar em depressão,

Ando tão tão tão intensa, que não sei mais qual lua está em que,
Todas são cheias, iguais ao meu corpo que não sinto mais, se enche,
Se sente leve, se sente cura em meio à confusão,

Ando tão tão tão intensa que só queria que não tivesse sentimentos,
Porque sofro a todo momento pelas ligações de outrora e desse momento,
Onde tudo isso virou tormento para uma chamada decisão.

Ando tão tão tão intensa que seria melhor respirar,
Voltar e tomar teu lugar, de mulher preta, espiritual e intensa e saber lidar com 
A intensidade que poderia também ser vaidade, se fortalecer e silenciar e
Seguir como vem seguindo, intensa tão tão tão intensa que chega a quebrar...

domingo, 25 de março de 2018

Dom.



Que dom é esse,
Que nasce, cresce, floresce e vive,
Do sagrado floresce,
Do encanto se cresce,
Do amor se nasce
E do feminino se vive,
É ser mulher,
Da raiz do mundo,
Do matriarcado que foi imundo,
Do desvalor à flor se murchou,

Mas a flor que hoje brotou,
Se renovou, 
hoje no sagrado se reconheceu,
Do ancestral, que uma vez viveu, 
hoje,
A volta mais uma vez, floresceu,

Resgatando dos primórdios,
Seus princípios, que dessa vez deixa seu legado infinito,
Do que foi imundo, hoje é absoluto,
Do sangue que foi resguardado,
Hoje é resgatado, guardado e santificado,
Do útero que era sinônimo de fraqueza,
E hoje é a fortaleza,
Tema de lutas e celebrações,
Essa é a verdadeira adoração,

Sabemos das dificuldades de crescer e se reconhecer,
Mas honremos nossas guerreiras que lutaram por nós,
Morreram e derramaram seu sangue por nós,
Para que hoje nos consagremos a realeza,
Cumprindo com a real beleza,
Revendo princípios e abrindo espaços para o doce infinito,
Para que eu-mulheres sejamos a voz da nação,
Educa-se uma mulher,
Levantamos uma nação.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Atualmente sem título.



"Você não sabe o que passei para ser o que eu sempre quis ser,
Para que me nomear?
Com nomes sujos, querer guerrear?
O tanto de rejeição que sofri,

Desde o ventre, não quiseram me retribuir,
Para quando criança a exclusão,
no jardim de infância,
Se iniciou a solidão, falta de compreensão,

Já na adolescência aprendi a palavra carência,
a tal da amizade, como verdadeira essência,
nunca tive bons amigos como princípios divinos,
Quando ainda na adolescência, na fase da carência,
época dos anos 90,
ser chamada de 'negra, preta' soava como ofensa, indecência,
E doía tanto no coração tal destreza,

Hoje nos anos 2000 me reconhecendo como preta, 
sem o clichê da prostituta, feia,
Assim como os senhores feudais usavam nossas Rainhas 
como símbolos sexuais, de estupros e abusos,
nomeando-as de pretas,

E hoje em diante, 
deste levante, seguimos quebrando este nome 
para que se fique a honra e relembremos dessas 
mártires sagradas que sofreram abusadas e usadas,
Para que simplesmente um homem branco, sem saber de nada, 
tome para si este nome e uso como quer, que ironia,

Respeita toda essa história sagrada 
e por favor não ironiza e nem minimiza, 
porque a cor da pele, esta sim, representa África,
não somos iguais e nem seremos,

Porque carregamos mágoas, traumas e laços ancestrais 
de sermos os mais amaldiçoados, sofridos e mau tratados,
Para vir um branco com seus privilégios claros, 
roubar tudo e usar como seu legado 
e ainda querer discutir de muito bom grado, 
o que não sabe um terço desta e outras histórias sagradas...

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Fôlego

"Sim, eu tenho que me encontrar

Revirar para achar onde é que eu fui parar,
Encontrar no eu a confiança,
Da sagrada aliança,
Da valorização,
Pois por entre anos fui excluída,
Me senti feia, constrangida,
Me fechei na ilusão,
Do padrão europeu, suicida,

Mas a cada instante existe um renovo
Onde acordo, me olho e me encontro,
Buscando dentro do profundo eu
O acalento sagrado, do carinho que não foi dado
E da auto-estima que não foi ensinada,
E que das cicatrizes se encontre a cura,
Pois constrói por anos a auto-estima
É por um segundo se destrói, e tudo se recria,
Para que mais uma vez o amor próprio se habita,
Afirmo, crio em mim e
Repito: "Eu sou Linda!"


Holding on to Jah

Esconderijo - Ana Cañas